terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

NO CALOR DO BURACO (1987)


Há poucos dias, fiz uma sessão dupla escatológica que detonaria todos os neurônios saudáveis de cinéfilos de bom gosto (o que, felizmente, eu não sou): num intervalo de algumas horas, reassisti NO CALOR DO BURACO, pornô brasileiro dirigido por Sady Baby, e a comédia-trash-cult "Pink Flamingos", de John Waters. E enquanto conferia as bizarrices do diretor norte-americano, como um travesti de 130 quilos fazendo um boquete (de verdade) e comendo cocô de cachorro (de verdade), não conseguia deixar de pensar que aquilo não era nada muito distante de um filme do Sady Baby falado em inglês.

Um dos cineastas mais extremos do pornô brasileiro, Sady é um nome que dispensa apresentações aqui no FILMES PARA DOIDOS - se quiser saber mais, leia a minha resenha de "Emoções Sexuais de um Jegue". Digamos apenas que o excêntrico cineasta e ex-jogador de futebol seria o resultado de um cruzamento genético entre John Waters, Lloyd Kaufman, Chuck Norris e o cantor Ovelha.


Em parceria com o amigo e sócio Renalto Alves, Sady Baby produziu alguns dos filmes pornográficos mais escatológicos, nojentos e extremos da Boca do Lixo, e olha que estamos falando de um lugar onde se produziu coisas como "Alucinações Sexuais de um Macaco". Aliás, vou reformular: Sady provavelmente foi o responsável por alguns dos pornôs mais escatológicos, nojentos e extremos do mundo ocidental - porque lá no Oriente os caras são doidos demais e não dá para rivalizar.

A dupla dinâmica Sady e Renalto escrevia, produzia e dirigia uma trupe de esfarrapados digna do Exército de Brancaleone, composta por sujeitos que mais pareciam mendigos recrutados a preço de cachaça ou prato feito na Rua do Triunfo, e mulheres tão feias que, se fossem garotas de programa, teriam que pagar para o cliente comê-las.


Gente como Feijoada, X-Tayla, Rubens Larápio e outros malucos que, durante quase uma década, ajudaram a dar vida aos delírios cinematográficos de Sady e Renalto, em filmes nada palatáveis para "pessoas normais", como esse NO CALOR DO BURACO.

Para dar uma ideia do nível de podridão da obra, é bom explicar, desde o começo, que o título vem de uma frase dita por um sujeito asqueroso depois de enfiar o dedo no fiofó de um porco - cena que, claro, foi feita pra valer, sem cortes e sem dublês (nem para o sujeito, nem para o porco). E o nobre suíno reclama com voz humana depois de tomar a dedada, já que no universo sadybabyniano os animais pensam alto, como o Garfield!


É inútil esperar muito da trama ou da narrativa; afinal, isso aqui é um filme pornô. E, pior, um filme pornô escrito e dirigido por Sady Baby. Mas, basicamente, o que veremos durante pouco mais de 60 minutos é a busca de vingança de um psicopata chamado Alemão (Sady, é claro), que estupra e mata brutalmente suas vítimas (não necessariamente nessa ordem), supostamente em represália pela morte da sua família - motivo torpe jogado ao léu na narrativa, e mencionado apenas uma ou duas vezes pelo protagonista.

Entretanto, quem já conhece o cinema sadybabyniano sabe que é ridículo buscar lógica, continuidade ou mesmo uma narrativa minimamente linear num filme dele. O negócio é sentar no sofá, preparar o sal-de-frutas ou o saco de vômito e embarcar numa montanha-russa de depravação e perversidade, com direito a muitas gargalhadas ao longo do passeio.


Acompanhe: NO CALOR DO BURACO começa num matagal, onde Alemão prepara uma cova para um cadáver anônimo, e pelado, caído ao seu lado. Enquanto cava, dá uma das suas tradicionais risadas maléficas de vilão de filme B e declara: "Um preto a menos no mundo!".

Perto dali, sua namorada é atacada por um homem que tenta violentá-la. Os dois rolam dentro de um córrego até a chegada de Alemão, que rende o estuprador e prepara uma armadilha digna de "Jogos Mortais": o sujeito é amarrado pelado numa árvore, com uma das pontas de uma cordinha amarrada no seu pinto, e a outra no gatilho da espingarda - que, portanto, disparará no momento em que o coitado ficar excitado.

Enquanto sua namorada, nua, rebola na frente do homem amarrado para forçar a excitação que o levará à morte, nosso "herói" Alemão provoca com o primeiro de muitos diálogos impagáveis: "Você não tava a fim de comer minha mina? Pois agora você vai foder legal. Você vai foder pra caralho! Quando seu pau subir, cara, você vai ver o pipoco que vai levar! Se bem que isso aí não é pau, é um pintinho de plástico!".


Quando a natureza se manifesta, o pinto do sujeito sobe e o "pipoco" dá cabo dele, o filme corta para os créditos iniciais, Sady Baby style (ou seja, com os atores segurando pedaços de cartolina onde seus próprios nomes foram escritos à mão).

Bizarramente, no momento em que a narrativa recomeça, não há mais qualquer menção aos fatos apresentados no prólogo, nem vemos mais a namorada (ou esposa?) de Alemão. Como escrevi lá em cima, não adianta querer encontrar muita lógica no cinema sadybabyniano...


Enfim, o filme recomeça e nosso "herói" reaparece simulando um ato sexual com uma árvore (!!!), em momento improvisado pelo próprio Sady na hora da filmagem. A filha de um fazendeiro da região, interpretada por X-Tayla, dá azar de passar por ali bem na hora. Ela é atacada e violentada por Alemão, que depois, na maior cara-de-pau, pede que a moça lhe arranje um emprego na fazenda do pai dela (!!!).

Tudo tem uma explicação, ou mais ou menos isso: acontece que, no passado, o fazendeiro (interpretado por Bim Bim, de "A Rota do Brilho") e seu capataz mataram a família de Alemão. Isso nunca é mostrado, e aparentemente aconteceu no período entre a cena inicial (em que a namorada/esposa de Alemão ainda estava viva) e os créditos do filme. Mesmo assim, Sady continua com a mesma roupa da cena inicial, como se toda a trama se passasse no mesmo dia!


Depois de conseguir o emprego na fazenda, nosso "herói" faz amizade com o grupo de degenerados que trabalha no local: o débil mental Sarampo (Gerônimo Freire), que gosta de enfiar o dedo e o pinto no orifício anal dos porcos e bebe leite de uma garrafa de cachaça, e o alcoólatra e homossexual Macaco (que, graças à incorreção política da época, é o negro Feijoada).

Mas ele se estranha com o capataz interpretado por Renalto Alves, e vive fazendo comentários pouco amigáveis como: "Eu não gosto daquele capataz. Eu vou comer o cu dele!".


Certo dia, o fazendeiro e o capataz resolvem dar um fim em Alemão. Sob a mira de um revólver, obrigam-no a cavar a própria cova. Inexplicavelmente, os caras deixam sua futura vítima cavando e vão jogar palitinho longe dali (!!!), dando tempo para que Alemão consiga um revólver e mate todo mundo!

Assim, a vingança teoricamente estaria concluída, já que os alvos prioritários do protagonista, que eram o fazendeiro e o capataz, foram exterminados. Mas Alemão continuará praticando atos de crueldade e matando gente até o final do filme!!! E não adianta tentar entender.


Sobra, por exemplo, para um velhote e sua esposa coroa, aprisionados pelo psicótico e sua trupe de degenerados - uma espécie de versão Boca do Lixo da família Firefly, de "Rejeitados pelo Diabo". A mulher é estuprada "pero no mucho" (já que não oferece grande resistência) e depois esfaqueada, enquanto o homem é morto a pauladas. Em cada uma das mortes, Sady ri sadicamente e declara: "Se fodeu!".

Sobra, também, para os próprios colegas de Alemão. Sarampo, por exemplo, é morto com um tiro nas costas sem motivo algum, e tem seu cadáver queimado no meio da floresta. Até quando continuará a sede de sangue de Alemão?


Neste momento, a "narrativa" já titubeante de NO CALOR DO BURACO é interrompida para a tradicional suruba que sempre atravanca a história dos filmes de Sady Baby. Somos transportados a uma inexplicável escola de educação sexual (!!!) chamada "Xeiro de Sexo" (sic), onde uma placa anuncia "Bem-vindo ao mundo da Aids" (tema já abordado no anterior "Emoções Sexuais de um Jegue").

Ali, um traveco comanda uma orgia hetero e homo sem muita distinção, onde até um pobre e indefeso MAMÃO é estuprado! A orgia caligulesca ocupa uns 15 ou 20 minutos do filme. É quando Alemão invade o recinto com um maçarico e toca o terror - outro tema recorrente, pois em "Emoções Sexuais de um Jegue" Sady interrompia suruba semelhante ao adentrar o recinto com uma motosserra!


Primeiro, Alemão ameaça o "amigo" Macaco, em plena relação sexual com outro homem. Sem-noção como apenas Sady Baby conseguia ser, ele perigosamente aproxima demais a chama do pinto dos "atores", certamente queimando-os, enquanto grita: "Isso aqui não vale nada! Vou enfiar esse fogo na sua boca, seu pilantra! Vou queimar sua bunda, nego, vou queimar seu saco. Mostra que você é macho!".

Finalmente, nosso "herói" aproxima-se da única garota mais ou menos bonita da película (Luana Scarlet), que minutos antes havia matado a facadas o travesti que comandava a suruba. Ela tenta explicar porque fez isso, mas não consegue (provavelmente não havia a menor justificativa para o ato de violência nem no roteiro do filme!). Alemão então pendura a moça de ponta-cabeça e prepara-se para queimá-la viva entre as tradicionais risadas sádicas.


Parece ser a conclusão para as "aventuras" do psicótico protagonista, mas ainda tem mais um pouquinho. Alemão e a filha do fazendeiro (até então sumida, ela reaparece sem maiores explicações) sequestram um caminhoneiro, que é forçado a dirigir até um bosque próximo. Nosso "herói" então empurra o sujeito em direção ao matagal enquanto anuncia: "O negócio é o seguinte, mermão: nós vamos te matar só um pouquinho, não repara não".

Crime concretizado, X-Tayla faz a Alemão a mesma pergunta que todo espectador está se fazendo até então: por que ele segue matando, se já eliminou as pessoas de quem queria se vingar? A resposta é absurda: "Porque mataram toda a minha família". Sim, óbvio, motivo suficiente para seguir matando 100, 200, 300 pessoas, até cansar...


Mas, felizmente, NO CALOR DO BURACO já está terminando, e não há tempo para tamanha chacina. Sobra, porém, para a pobre X-Tayla. Sem motivo algum além da sua incontrolável sede de sangue, Alemão atira nas costas da moça.

Em seguida, bebe o sangue que sai da ferida e faz sexo com o cadáver, ao mesmo tempo em que olha para a câmera, dá uma piscadinha e pronuncia uma das melhores sentenças de todo o cinema sadybabyniano: "Dar uma trepada com uma pessoa morta é uma sensação arrepiante!".

Volta, então, ao caminhão e pega a estrada sozinho, provavelmente para continuar sua carreira de crimes violentos em outros pagos. The end.


NO CALOR DO BURACO é um típico representante do cinema escalafobético de Sady Baby, em que pouco ou nada faz sentido e os acontecimentos servem ao choque gratuito e nada mais; para o diretor, importa mais provocar o espectador com insinuações de crimes brutais, zoofilia e necrofilia do que propriamente excitá-lo, como deveriam fazer os bons pornôs.

Por isso, foi curioso reassistir isso e o filme do John Waters num curto intervalo de tempo: me parece que os dois diretores têm muito em comum, dos impagáveis diálogos e personagens toscos às cenas escatológicas, do sexo (mal) filmado como algo sujo e nojento ao uso da violência explícita num tom exageradamente cômico. Fico imaginando o que Sady e Waters diriam se um assistisse ao filme do outro; quem sabe, até trabalhariam juntos num próximo projeto!


Embora seja oficialmente um pornô, é claro que ninguém assiste um filme do Sady Baby pelas cenas de sexo - pelo contrário, é mais comum ficar sem vontade de trepar por um mês depois de ver alguma obra do diretor. Aqui, ele mantém seu padrão de porqueira, incluindo as famigeradas cenas de homossexualismo entre homens escrotos, barbudos e peludos - infelizmente, as duas únicas mulheres mais "pegáveis", Luana Scarlet e X-Tayla, não protagonizam sexo explícito.

Mas Sady reserva uma surpresa para o espectador: no meio daquela suruba na escola de sexo, o mítico Diabo Loiro surge sem maiores explicações, vestindo apenas uma sunga, para receber uns boquetes e protagonizar seus números... hã... "diferentes" de auto-mutilação corporal!


Para as novas gerações, o nome pode não significar absolutamente nada. Mas, na década de 80, Diabo Loiro costumava aparecer em programas tipo o Show de Calouros, do Silvio Santos, protagonizando "façanhas" de gosto duvidoso. como esfregar o rosto em cacos de garrafas de vidro ou pregar a própria língua numa tábua.

E o que diabos Diabo Loiro está fazendo de sunga numa suruba de um filme do Sady Baby? Ora, exatamente a mesma coisa: esfregando o rosto em cacos de garrafas de vidro e pregando a própria língua numa tábua enquanto homens e mulheres e homens e homens se comem ao redor! Algo muito excitante, pelo menos na cabeça demente de Sady Baby...


Não bastasse a "participação especial" de Diabo Loiro e o sexo nojento, esta cena da suruba faria sucesso numa aula de semiótica, já que os gemidos e sussurros dos amantes foram substituídos por sons de galinhas, porcos e bois!!!

Como o sexo não excita, e é provável que você passe quase todas as trepadas com o fast foward (eu sempre faço isso), o que sobra para ver em NO CALOR DO BURACO? Ora, as cenas de elevado fator trash, é claro! Com destaque para aqueles diálogos impagáveis que são presença constante na obra de Sady.


Um dos diálogos mais hilários acontece quando Alemão invade a escola de sexo e aborda a personagem de Luana Scarlet. A garota se espanta com o maçarico e segue-se a seguinte conversa:

- (assustada) O que é isso?
- É o fogo!
- Eu não quero morrer!
- Você é da família do cara que matou minha família! Eu vou matar você aos poucos! Eu vou queimar você, sua puta!
- Não, eu sou filha adotiva!



Já quando o personagem de Sady é obrigado a cavar a própria cova, o fazendeiro lhe pergunta qual seu último desejo. Impassível diante da morte iminente, ele sai-se com uma pérola: "Eu poderia comer seu cu?".

Finalmente, uma das cenas mais impagáveis precisa ser vista para fazer sentido, pois a simples narração por escrito não faz justiça à dimensão da coisa. Quando o carro em que o protagonista está com sua trupe atola num lamaçal, ele sai furioso do veículo, berrando ordens para que todos façam força e desatolem o veículo. Subitamente, num rompante de fúria que parece ter sido improvisado, agarra Feijoada e tenta enforcá-lo, para em seguida rolar com ele na lama aos gritos: "Você sempre mole, porra! Acho que eu vou te matar, seu filho da puta! Eu tô te pedindo ajuda e você não me ajuda! Porra, você não é meu amigo? Eu vou te matar como um porco se você não me ajudar!".


Fiel aos elementos comuns à toda a sua filmografia (poderia Sady Baby ser considerado um "autor" conforme a teoria de Truffaut?), em NO CALOR DO BURACO o diretor volta a representar o prazer lado a lado com a dor, a humilhação e o sofrimento do parceiro, num universo em que estupros e torturas sexuais (como a impagável armadilha da cena inicial) são comuns à natureza dos personagens.

O próprio Sady novamente interpreta um psicopata sádico que violenta as mulheres e força pessoas a fazer sexo contra a vontade, ameaçando-as com um revólver ou espingarda. Não há espaço para romantismo no cinema sadybabyniano.


O jornalista Gio Mendes, biógrafo oficial do cineasta que prepara um livro sobre sua obra, assistiu NO CALOR DO BURACO junto com Sady e Renalto. Segundo ele, ao questioná-los sobre o porquê de tanta violência em filmes pornográficos, Sady teria respondido que o público gostava, porque "só sexo é cansativo". Já Renalto justificou de maneira mais psicanalítica: "O povo é sádico. Ele não demonstra porque é muita lei proibindo. Mas o povo é sádico, gosta de violência. E o mundo é violento".

Portanto, se o mala-mor Glauber Rocha criou a Estética da Fome, Sady e sua trupe definitivamente são os inventores da "Estética da Podridão", que não poupa esforços para incomodar o espectador com um excesso de pobreza, nojeira e escatologia (tem até uma trepada filmada dentro de um chiqueiro, com porcos ao redor!!!). O objetivo não é excitar o público, mas representar o mundo-cão da forma mais exagerada possível.


Nesse, e em vários outros filmes, Sady faz questão de mostrar os personagens rolando na lama ou em córregos imundos, aproximando-os (e assim ao espectador) da sujeira, ao mesmo tempo em que faz um retrato fiel (ainda que sensacionalista) da vida miserável na zona rural brasileira, onde, até uns 20 ou 30 anos atrás, coisas como a zoofilia não eram apenas herança cultural, mas também um comportamento socialmente aceito - garotos da fazenda perderem a virgindade com galinhas ou vacas era tão comum quanto o pai levar seu filho moleque para perder o cabaço no puteiro, comportamentos impensáveis no dito "mundo moderno".

Não que Sady Baby queira ser tão sério ou fazer crítica social, como o mala Glauber. Pelo contrário, o que lhe interessava era ganhar dinheiro explorando aberrações sexuais em pornôs extremos, sujos e mal-filmados. Se era essa a intenção, NO CALOR DO BURACO funciona que é uma beleza. E deve ter feito, sozinho, muito mais bilheteria que toda a obra do Glauber. Chupem, viúvas do Cinema Novo!!!


Cinéfilos "alternativos" certamente encontrarão algumas qualidades, e muitos motivos para dar risada, nesse impagável pornô trash. Pule as escabrosas cenas de sexo e divirta-se com as péssimas interpretações e com os diálogos e situações hilariantes, que certamente deixariam John Waters e a trupe de "Pink Flamingos" rolando de rir.

A propósito: o super-alternativo Waters teve a sorte de nascer no país certo e virou cult, migrando depois para o "cinemão" e dirigindo galãs como Johnny Depp em filmes bem mais comerciais e palatáveis. Será que Sady Baby teria a mesma chance, caso não fosse um cineasta tão irresponsável? Vocês conseguem imaginar o homem fazendo filmes mais inofensivos para a Globo Filmes, dirigindo galãs nacionais como, digamos, Cauã Reymond?

Que nada: enquanto o transgressor Waters se aquietou e partiu para filmes mais calminhos, o brasileiro continuou porra-louca, a ponto de dirigir, há alguns anos, um filme pornô estrelado pela própria filha. Por isso, assistir um filme de Sady Baby é sempre uma experiência arrepiante.

PS: Eu escrevi ali em cima que a nova geração provavelmente nunca ouviu falar de Diabo Loiro, mas no YouTube é possível encontrar duas participações recentes do sujeito em programas do SBT, Qual é o Seu Talento? (2009) e Ratinho (2011). Ele envelheceu e está mais barrigudo, mas continua fazendo a mesma coisa que fazia quase 30 anos atrás: esfregando o rosto em vidro e pregando a própria língua. Eis um artista íntegro!


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No Calor do Buraco (1987, Brasil)
Direção: Sady Baby e Renalto Alves
Elenco: Sady Baby, X-Tayla, Renalto Alves, Feijoada,
Luana Scarlet, Jerônimo Freire, Bim-Bim, Diabo Loiro,
Franklin Neto e Erivaldo Nery.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

DRIVE (1997)


Nesta sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012, finalmente chega aos cinemas brasileiros o filme "Drive", de Nicolas Winding Refn, grande campeão de puxa-saquismo do ano passado, idolatrado por cinéfilos do mundo inteiro como se fosse um novo "Cidadão Kane". Portanto, não fique espantado se todos os sites e blogs brasileiros estiverem falando desse negócio hoje e pelos dias vindouros.

Mas não o FILMES PARA DOIDOS, porque eu devo ser a última pessoa sobre a Terra que ainda não viu o filme - gosto de conferir essas produções mais badaladas somente depois que saem da ordem do dia. E enquanto todos os meus colegas de internet escreverão maravilhas sobre Nicolas Winding Refn, Ryan Gosling e cia., prefiro aproveitar esse humilde espaço para falar sobre um outro DRIVE...


Pois eis que, em 1997, o chinês naturalizado norte-americano Steve Wang dirigiu um filmaço que tem justamente este nome, DRIVE. No Brasil, na época do vídeo, a obra recebeu o dispensável subtítulo "Tensão Máxima". Porque, naqueles tempos, tudo era "máximo" nos cartazes nacionais de filmes de ação: "Velocidade Máxima", "Risco Máximo", "Rotação Máxima", "Fervura Máxima", "Adrenalina Máxima", e por aí vai.

Infelizmente, o DRIVE do Steve Wang nunca alcançou a mesma projeção, repercussão ou nível de rasgação de seda deste "Drive" novo do Nicolas Winding Refn - e, é bom esclarecer, os dois filmes não têm absolutamente nada em comum além do título.

Se uso a expressão "infelizmente", é porque esse fantástico trabalho de Wang pode tranquilamente ser incluído em qualquer lista dos melhores filmes de ação da década de 90.


Mas você pode viver sua vida toda e nunca dar bola para ele, já que o filme se confunde com centenas de outras tralhas feitas direto para DVD, e nem a capa, nem o resumo empolgam de primeira. O que é uma pena, porque em tempos de Zack Snyder e Paul W.S. Anderson, DRIVE é uma verdadeira obra-prima.

Só fazendo uma rápida contextualização: na segunda metade dos anos 90, o cinema de pancadaria produzido nos Estados Unidos estava meio moribundo. Se antes todo mundo engolia ocidentais como Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris e o "ninja falso" Michael Dudikoff mostrando suas habilidades em artes marciais, a onda a partir de então era importar diretores (John Woo, Ringo Lam, Tsui Hark), astros (Chow Yun-Fat, Jet Li, Michelle Yeoh) e coreógrafos do cinema oriental (Yuen Woo Ping, Corey Yuen) para fazer filmes hollywoodianos com cara de filmes de Hong-Kong.


O problema é que estas produções metade Ocidente, metade Oriente nunca conseguiam dosar as duas culturas a contento: ou elas soavam extremamente falsas e exageradas ao colocar, por exemplo, Tom Cruise como super-karateka (em "Missão Impossível 2", de John Woo), ou desperdiçavam o potencial de astros do lado de lá, como Jet Li, eternamente perdido e sub-aproveitado em aventuras bundonas e aquém do seu talento como lutador, repletas de efeitos digitais, dublês e cenas com cabos.

E então apareceu Steve Wang como saudável exceção à regra. Curto e grosso: DRIVE é o mais perto que o cinema de ação ocidental conseguiu chegar do nível dos filmes de ação orientais, sem afetação demais nem lutas de menos.


O roteiro de Scott Phillips é redondinho e bastante eficiente. Num futuro próximo, Mark Dacascos interpreta Toby Wong, um chinês especialista em artes marciais que teve um dispositivo bio-mecânico implantado no coração, para aumentar sua força, reflexos e velocidade. Graças ao dispositivo, pode trabalhar como super-assassino para seus empregadores, os executivos da maléfica Leung Corporation.

Só que Toby cansou de ser um super-capanga da bandidagem. Ele prefere fugir para os Estados Unidos e encontrar-se com os representantes de uma outra companhia, que não só tirarão o negócio do seu peito, como ainda pagarão alguns milhões de dólares pela traquitana.


Óbvio que não será uma tarefa fácil: o chefão da Leung Corporation (James Shigeta) contratou um exército de mercenários para caçar nosso herói e levá-lo de volta para casa com o dispositivo intacto. Caçado pelos bandidos e pela polícia, Toby precisa unir-se à força com um fracassado compositor de jingles, Malik Brody (Kadeem Hardison), para chegar a Los Angeles, onde a outra organização irá livrá-lo do incômodo probleminha em seu peito.

(O título do filme vem de uma frase que o herói diz ao entrar no carro do novo parceiro: "Just relax and drive!")

Para a sorte da dupla, a super-agilidade proporcionada pelo mecanismo transformou Toby num adversário praticamente invencível, que abrirá caminho na base da porrada, enfrentando grupos cada vez mais numerosos de inimigos.


À primeira vista, DRIVE não escapa de um milhão de clichês dos filmes de ação, incluindo a dupla sem nada em comum que é forçada a unir forças para sobreviver, e que, como manda a cartilha do cinema moderno, é formada por um branco e por um negro - à la "Máquina Mortífera" e tudo o que foi feito desde então.

A diferença é que tudo no trabalho de Wang funciona como um relógio: das cenas de ação pontuais e cada vez mais impressionantes à química entre a dupla de heróis, até os bem-sacados vilões que têm personalidade própria.


Me refiro aos líderes dos mercenários, que são o fanfarrão Vic Madison (John Pyper-Ferguson) e seu parceiro Hedgehog (Tracey Walter, o capanga do Coringa no "Batman" do Tim Burton). O primeiro passa do cômico ao ameaçador em questão de minutos - e tem colhões para usar um chicote contra um negro, algo muito corajoso nesses tempos politicamente corretos!

DRIVE não é somente um eficiente filme de pancadaria, mas também uma aventura bastante divertida, repleta de citações cinéfilas e de cenas engraçadas sem apelar para a caricatura ou gritaria. Malik refere-se a Toby como "os cinco dedos da morte", lembrando o título de um clássico das artes marciais, e reclama que o parceiro improvisado não é "Miss Daisy" para ser conduzido por ele em seu carro. O herói também identifica-se como "Sammo Hung" (!!!) em determinado momento do filme.


O próprio nome Toby Wong vem de "Cães de Aluguel", do Tarantino. Lembra da cena em que Joe, o chefão dos bandidos, examina uma velha agenda e fica repetindo para si mesmo: "Como era o nome daquela garota chinesa? Toby Chew? Toby Wong?".

Lá pelas tantas, Toby e Malik chegam a um hotel de beira de estrada dirigido por uma jovem maluquinha e ninfomaníaca. Para surpresa geral da nação, a moça é interpretada por uma ainda desconhecida Brittany Murphy, dois anos depois da comédia "As Patricinhas de Beverly Hills". Brittany, que morreu em 2009, viraria estrela hollywoodiana lá por 2001, e aqui tem participação bem curiosa - não, ela não é interesse romântico de nenhum dos personagens e logo some da narrativa.


Porque não há espaço para beijinhos e romance em DRIVE, e é na hora da pancadaria que o bicho pega e o filme mostra a que veio. As cenas de ação, coreografadas por Koichi Sakamoto, mesclam diferentes tipos de luta (até capoeira, que Dacascos já havia demonstrado em "Esporte Sangrento", de 1993).

As lutas também dão oportunidades para que o herói use todos os objetos à sua disposição contra os bandidos, de cadeiras a colchões, como Jackie Chan fazia nos bons tempos.


Ao lutar num apertado quarto de hotel, Toby pula contra as paredes para tomar impulso e literalmente voar contra os inimigos; ao lutar no interior de um bar, ele se pendura de ponta-cabeça num ventilador de teto para, girando, conseguir atirar em todos os bandidos ao seu redor (!!!); não falta nem a clássica cena em que os dois parceiros estão algemados e o herói é forçado a lutar usando o próprio corpo e o do seu parceiro como "armas".

E o melhor de tudo: na maior parte do tempo, a pancadaria é fruto de muito treino dos atores e dublês, e não de efeitos de computador ou do uso de cabos para suspender os lutadores. Dacascos realmente luta pra caramba, e tem a oportunidade de demonstrar isso sem maquiagem digital. Prepare-se para um montão daquelas cenas que você assiste meio emocionado e meio apavorado, pois fica evidente que os dublês se machucam ao serem atirados contra móveis e outros obstáculos.


Também fica evidente que tudo teve que ser exaustivamente treinado nos mínimos detalhes para que os atores soubessem onde encaixar os golpes sem colocar em risco a si mesmos e aos oponentes. Porque as lutas, longas e excepcionalmente bem filmadas por Wang, utilizam-se de longos planos abertos e sem cortes, em detrimento da muito mais cômoda edição picotada de videoclipe que é uma praga do cinema moderno.

Ou seja: os caras tinham que treinar muito bem a coreografia para convencer, ao invés de gravar tudo em pedacinhos curtos e deixar a bomba nas mãos do editor. Mesmo quando exageram um tantinho os feitos do herói, as lutas de DRIVE são muito mais críveis e convincentes do que a maioria das pancadarias vistas nas produções recentes.


Quando você vê Jason Statham sentar porrada na série "Carga Explosiva", por exemplo, aquilo chega a ser cômico de tão inverossímil e forçado; já aqui é mais fácil acreditar que o herói Dacascos realmente seja capaz de vencer inúmeros oponentes, pois os confrontos, ainda que cheios de malabarismos e piruetas, são mais "pé no chão" e menos videogame.

DRIVE também resolve com criatividade um problema crônico das aventuras de artes marciais produzidas nos Estados Unidos: o fato de os bandidos nunca dispararem um tiro na cabeça do Jet Li ou do Jackie Chan ao invés de tentarem inutilmente sair no braço com eles.


Afinal, Toby tem o valioso dispositivo no seu peito que só funciona enquanto seu coração estiver batendo, e por isso os mercenários no seu encalço precisam capturá-lo vivo, mesmo querendo muito usar suas metralhadoras e bazucas para dar um fim na carreira do herói. Toby também pode ser rastreado facilmente por causa do tal dispositivo, então nunca tem a chance de se esconder por muito tempo.

Por sinal, a cena mais fantástica de DRIVE é quando o batalhão de mercenários comandado por Vic invade um hotel onde a dupla dinâmica recupera as energias. Para não correr o risco de matar a galinha dos ovos de ouro, os bandidos levam bastões eletrificados para tentar nocauteá-lo com segurança. Esperto que só, Toby tira as botas de um dos bandidos e as usa como "luvas" para poder lutar sem correr o risco de tomar choques!


Esta cena também inclui um momento impagável em que Malik usa uma serra elétrica contra um dos mercenários! É um humor negro tão sem-noção que parece até saído daquele clássico momento com Schwarzenegger na cabana de jardinagem em "Comando para Matar".

E Dacascos está F-O-D-A como herói. Aliás, um puta herói que usa punhos, pés, armas de fogo, objetos em geral e até espadas contra os inimigos, sem fazer muita distinção entre apenas nocauteá-los ou matá-los.

Esse aqui é indiscutivelmente o seu grande papel no cinema, após uma série de aventuras baratas, bombas como "Double Dragon" e participações pouco expressivas em blockbusters tipo "A Ilha do Dr. Moreau" de John Frankheimer, em que interpretou uma das criaturas. (Uma rara exceção na sua filmografia é o igualmente decente "Crying Freeman", lançado dois anos antes).


Em cada cena de ação de DRIVE, Dacascos luta como se sua vida dependesse disso, movimentando-se com tanta rapidez e agilidade que dá vontade de rever o filme inteiro em câmera lenta. Seu herói hiperativo parece um cruzamento genético do Jet Li de "Máscara Negra" com o Jackie Chan da série "Police Story".

Consta, inclusive, que o diretor Wang e o coreógrafo de ação Sakamoto espremeram o pobre do ator até o bagaço, praticamente obrigando-o a participar do máximo de cenas sem dublê que ele conseguisse encarar. Isso é mais um fator que valoriza o resultado final: se você passar as lutas em câmera lenta, vai ver que é o próprio Dacascos botando pra quebrar em 80% do tempo!


A conclusão é um verdadeiro presente aos fãs de ação: um quebra-pau que dura uns bons 20 minutos, em que primeiro nosso herói enfrenta um grupo de motociclistas (à la "O Jogo da Morte", aquele filme póstumo do Bruce Lee), e depois um "modelo avançado" que tem um dispositivo como o dele implantado no próprio corpo, mas mais moderno e garantindo alguns recursos a mais, como uma "sobre-vida" em caso de morte.

A tal "versão 2.0" é interpretada pelo japonês Masaya Katô, que já havia contracenado com Dacascos em "Crying Freeman". Bem, se o herói é um cruzamento de Jet Li com Jackie Chan, este vilão anabolizado parece o Agente Smith, de "Matrix", depois de cheirar cocaína e beber dez litros de Red Bull.

(Ah, vale lembrar que DRIVE é dois anos anterior a "Matrix", embora o modelo avançado interpretado por Katô apareça com um figurino bem semelhante aos personagens dos Irmãos Wachowski, vestindo casacão longo e óculos escuros!)


Segundo Scott Phillips declarou em entrevistas, ele escreveu o roteiro ainda no começo dos anos 90, originalmente imaginando-o como um veículo para Jackie Chan (no lugar de Dacascos) e Sylvester Stallone como sidekick (!!!). É por isso que, num momento do filme, o vilão Vic orienta um de seus homens para atirar na perna do "baixinho" e na cabeça do "altão", uma fala escrita pensando em Jackie e Stallone, já que Dacascos e Kadeem têm praticamente a mesma altura.

Pessoalmente, fico muito feliz que esse projeto para blockbuster não tenha saído do papel como o roteirista havia concebido, pois Stallone faria de tudo para ganhar mais tempo em cena e roubar o estrelato de Jackie, o que não acontece aqui entre Dacascos e seu sidekick. Além disso, grandes estúdios não sabem fazer filmes de ação e iriam substituir a ação desenfreada pela comédia, e as lutas práticas por efeitos especiais.

(Só para constar, o único encontro entre Stallone e Jackie acabou sendo na mal-sucedida comédia "Hollywood - Muito Além das Câmeras", em que eles estrelam um filme de ação fictício chamado "Trio".)


Para encerrar, DRIVE é tão competente e bem produzido que parece ter custado bem mais do que o seu real orçamento. Acredite se quiser, mas essa maravilha custou apenas 3,5 milhões de dólares - valor que não paga nem um dia de filmagens de "Os Mercenários 2"!

Superior a qualquer coisa que Jet Li ou Jackie Chan tenham feito nos Estados Unidos (o que nem é um grande feito, considerando as porcarias em que ambos se meteram), o filme também deve ter deixado Brett Ratner possesso, pois é tudo que esse zé-mané tentou fazer nos seus três "A Hora do Rush" e não conseguiu.


DRIVE é tão bom, mas tão bom, que tinha tudo para transformar Mark Dacascos em super-ídolo de ação e Steve Wang no novo nome quente do gênero. Afinal, se voltarmos a 1997 iremos constatar que não havia praticamente nada no mesmo nível sendo produzido nos Estados Unidos: os filmes de ação norte-americanos de destaque naquele ano foram "Con Air", "A Outra Face", "Velocidade Máxima 2", "A Colônia" e aquelas produções baratas rotineiras estreladas por Gary Daniels, Oliver Gruner e Don "The Dragon" Wilson.

Infelizmente, a companhia que produziu DRIVE não tinha grana suficiente para bancar um lançamento decente, e ele foi distribuído direto para o mercado de VHS/DVD, sem nunca chegar à tela grande. Para piorar, ganhou uma nova edição para americano ver, com quase 20 minutos a menos e uma abominável trilha sonora com música eletrônica.

A "director's cut" de Steve Wang, com mais desenvolvimento de personagens e trilha original que não incomoda os ouvidos, saiu em DVD somente na Europa.


Por causa disso (versão mutilada e sem lançamento nos cinemas), DRIVE acabou relegado à poeira das videolocadoras e nunca recebeu o merecido destaque, nem transformou Dacascos e Wang em grandes nomes das suas respectivas áreas, como podia ter acontecido num mundo justo e perfeito.

Pelo contrário: o diretor foi comandar episódios dos seriados "Power Rangers" e "Kamen Rider", sem nunca mais ter assinado nenhuma outra produção no mesmo nível, enquanto seu ator continuou estrelando aventuras baratas direto para vídeo.


A bem da verdade, Dacascos quase chegou lá uma segunda vez ao aparecer na aventura "O Pacto dos Lobos", de Christophe Gans, no papel de um índio bom de briga. Mas não foi muito além disso, e o mais perto que chegou do cinemão classe A foi como vilão que apanha de Jet Li no descartável "Contra o Tempo" (2003).

Ironicamente, comparar a luta afetada e mal-filmada entre Li e Dacascos nesse filmeco com qualquer cena de DRIVE é o mesmo que comparar Mozart com Michel Teló!


Por isso, repito que é uma lástima o fato de DRIVE não ter feito o devido sucesso e até hoje seja tão pouco conhecido. Pois, como já escrevi, você pode viver sua vida toda e nunca dar bola para ele.

E vou além: se dependesse de mim, novos diretores de ação seriam obrigados a assistir muitas vezes o filme de Wang para aprender como se faz cinema de ação direitinho.

Pode até ser que esse DRIVE aqui não seja tão fodão quanto o novo aí do dinamarquês, do qual todo mundo está falando maravilhas. Mas pelo menos uma coisa eu garanto: depois de vê-lo, quase tudo que foi feito em matéria de "cinema de ação" de 1997 para cá parece completamente obsoleto ou muito fraco.


Pois este é um daqueles raros filmes que, quando acaba, deixam a maior vontade de ver de novo, nem que seja só para checar as melhores lutas. E também é um daqueles cada vez mais raros casos em que você fica até torcendo para sair um "Drive 2" com os mesmos atores e realizadores. O que, infelizmente, jamais acontecerá, dada a obscuridade do original.

Alô, Stallone: o que é que você está esperando para colocar o Mark Dacascos em "Os Mercenários 3"?

Alô, grandes estúdios: o que você estão esperando para dar emprego e dinheiro ao Steve Wang?

Trailer de DRIVE



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Drive (1997, EUA)
Direção: Steve Wang
Elenco: Mark Dacascos, Kadeem Hardison, Brittany Murphy,
John Pyper-Ferguson, Tracey Walter, James Shigeta, Ron Yuan,
Masaya Katô, R.A. Mihailoff e Dom Magwili.